Eles acertaram!

Por Camila Serafim e Karina Bertolla

Após meses falando sobre erros, dessa vez resolvemos variar um pouco…

Com este propósito, neste post de encerramento do semestre, resolvemos apresentar à vocês um grande acerto que envolve o jornalismo, uma iniciativa social e grandiosa, capaz de  trazer motivação de vida para muitas pessoas que talvez julguem não ter saída…ou que, simplesmente, não tenham uma oportunidade de recomeçar.

Inspirada em uma revista de cunho social de Londres, “The Big Issue”, surge em 2001 no Brasil a Organização Civil de Ação Social – OCAS, revista que é vendida por moradores de rua das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

A revista possui inspiração em modelo inglês

A revista possui inspiração em modelo inglês

O projeto, que não recebe ajuda governamental, é mantido por doações, patrocínios, parcerias e trabalho voluntário. Cada vendedor compra a revista por R$ 1,00 e revende por R$ 3,00 em pontos estratégicos da cidade como centros culturais, universidades e praças públicas.

Para conhecer melhor essa iniciativa, entramos em contato com a acessora de imprensa da sede de São Paulo, Yara Verônica, que nos colocou em contato direto com a ONG e afirmou: ” É um trabalho voluntário que enche o coração da gente de energia positiva, porque sabemos que com apoio as pessoas podem sair de uma situação difícil e é isso que move a todos nós voluntários da OCAS.”

E por isso, na manhã desta segunda- feira, 7 de junho, parte da Equipe do Nós Erramos foi visitar a ONG.
Chegando lá fomos muito bem recebidas por duas voluntárias, Nobuco Soga e Maria Cristina Gobe, que nos apresentaram alguns dos vendedores que falaram sobre sua vivência nas ruas e como é vender OCAS.

Segundo Edmilson, que prefere ser chamado de Braian Smith, que entre idas e vindas está no projeto há 5 anos: ” Se não quer roubar, traficar, se prostituir ou virar marreteiro na 25 de Março, vende OCAS”.

Bryan, que além de vendedor é leitor e inclusive já escreveu matérias para a revista, diz que seu  editorial é livre e aborda temas voltados à cultura, música, teatro e cinema. “A gente não vende OCAS para levantar um nome ou uma firma” , disse ele com a mesma convicção que usa para abordar possíveis compradores.

Conhecemos também outra figura singular, José Fernandes, mais conhecido como Zeca, que conheceu a OCAS  em 2002 e é vendedor da revista desde então.
“A OCAS é um norte que se dá na vida das pessoas que vivem em situação de rua. Por mais forte que você seja, sua auto-estima vai lá embaixo”, conta ele que vive em um albergue da cidade de São Paulo.

Conversando com estes moradores de rua, que relataram momentos de sua vida, as difilcudades enfrentadas devido ao preconceito, pudemos perceber que informação não está ligada ao nível social de alguém, mas sim a sua sede de conhecimento e descobertas. Neste caso, o jornalismo trouxe mais que informação, trouxe opurtunidade de renda sustentável, de inserção na sociedade e desenvolvimento de senso crítico, algo muito perceptível em cada resposta dada por eles.

Da esq. para direita - Zeca, Maria Alice (terapeuta do projeto) e Braian

Da esq. para direita - Zeca, Maria Alice (terapeuta do projeto) e Braian

Brian e Zeca nos fizeram ter certeza de uma coisa: ter opinião formada sobre um determinado assunto e posicionamento crítico é possível a qualquer um que, simplesmente, queira.

A OCAS tem como parceira a Rede Rua, associação sem fins lucrativos, que publica mensalmente um jornal ” O Trecheiro” e divulga movimentos, entidades e grupos sociais populares.

E sabe como conhecemos a instituição? Zeca fez questão de nos levar até lá e apresentar-nos o editor, Alderon Costa, que defende os direitos dos moradores de rua e, como parece ser inevitável, nos apresentou um erro: Em uma de suas matérias, o jornal Metrô News referiu- se aos moradores de rua como “mendigos”, palavra considerada pejorativa e generalizadora.

E é assim mesmo como essas pessoas são vistas pela maioria…São todos considerados pedidentes e desocupados!

O Trecheiro então lançou a campanha: “Somos cidadãos, mendigo é a…

Campanha Sou cidadão

 Hoje pudemos descobrir um outro lado. O lado do esforço e da perseverança que nós queremos ver crescer cada vez mais e, sem dúvida, faremos o possível para que aconteça!

Campanha Sou cidadão lançada pelo jornal “O Trecheiro”

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Filed under Junho 2009

Editorial

Aqueles que acompanham este blog já tiveram a oportunidade de encontrar aqui reportagens, posts interativos, um pouco de história e conteúdos multimídias. Porém estamos chegando ao final do semestre e ainda não fizemos um editorial, importante gênero jornalístico.

É claro que expusemos nossa opinião nos mais diversos posts, mas acreditamos ser de grande valor um post com a opinião dos membros deste blog sobre determinado assunto. Aliado à isso, escolhemos um tema tratado no livro “A Tirania da Comunicação” e que tem tudo a ver com o blog.

Mas uma vez a participação do leitor é fundamental deixando comentários. Boa leitura.

Informação ou lucro ?

No Brasil, praticamente todos os anos existem grandes coberturas midiáticas sobre alguma tragédia, crime ou fato que chame atenção de grande parte da população.O acidente com o vôo da TAM, a morte da garota e Isabela e o seqüestro seguido de assassinato da jovem Eloá são alguns exemplos que facilmente são lembrados.

Passado o calor dos fatos e o clamor popular , quase, ou totalmente, não se ouve mais sobre tais assuntos. Erro crasso. Mas não é sobre o pós cobertura que pretendemos tratar e sim sobre elas em si.

Se já não bastasse a avalanche de informações, que nem sempre são checadas, ou mesmo possuem alguma importância, nos deparamos com verdadeiras “novelas da vida real”. Se no noticiário do dia-a-dia isso já é perceptível, nas grandes coberturas a hiperemoção extrapola os limites. Regras e conceitos éticos são deixados de lado e faz-se algo que chega até ser difícil tratar como jornalismo.

Não, os responsáveis por tais erros não são ingênuos ou maus jornalistas. Pelo contrário, eles sabem muito bem o que fazem e o que visam: público consumidor, audiência, que nada mais é do que sinônimo de lucro. Isso é fruto do jornalismo mercadoria aliado à grande concorrência nos meios de informação, onde um furo jornalístico parece valer mais do que qualquer coisa.

Tais coberturas não se restringem apenas aos veículos de televisão. A imprensa , que por tempos, parecia blindada, não fica de fora. A morte da Princesa Diana é um exemplo global disto. No Brasil, mesmo os pretige-papers sofrem deste mal. Mas ainda é a televisão o principal meio de comunicação a tratar tais fatos com excesso de emoção, falta de ética e sensacionalismo.

Logo no primeiro semestre do curso de jornalismo aprendemos que é preciso colocar emoção no texto, independente para qual veiculo se escreve.Não questionamos isso. Questionamos o abandono da notícia, do factual, pelo simples drama, emoção e comoção. Não concordamos com o fato de tornar público o que é privado, pessoal.

Por fim,cremos que o que parece ser de interesse público muita das vezes não é, mas se torna de acordo com a atenção dada a ele pelos meio de comunicação. Sobra informação, falta opção, principalmente àqueles que já são menos instruídos ou com menor condição financeira.

Chega de “psicodrama”, de sensacionalismo, de paparazzi . O que está ai hoje, pode não estar se amanhã eu e você fizermos diferente. O valor mercadológico não pode ser maior que o social.

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Filed under 1, Junho 2009

Erros do Telejornalismo

Por Olavo Guerra

Após semanas de stress com a realização do PI e algumas provas e atividades, resolvemos fazer um post mais leve e engraçado. Ele bem que poderia estar num outro blog da sala, o Brincando em Serviço.

Muitos pensam que chegar ao cargo de âncora em um grande jornal é tudo na vida de um jornalista que segue carreira na televisão. Porém o que todos devem prestar muita atenção é que quanto maior o cargo, maior a responsabilidade. Um pequeno erro, e o país – ou até o mundo – inteiro estará dando risada de uma troca de letra, um desmaio ou de uma gargalhada que você, um grande âncora ou repórter, tenha dado.

Selecionamos um vídeo, que mostra esses erros de grandes jornalistas, não só do Brasil, mas de países como Alemanha, Bélgica e Portugal. Ele é um pouco longo, mas vale a pena ver, pois um dia todos nós poderemos estar trabalhando em um telejornal, e assim, sujeitos a passar por alguns desses erros. Pedimos para que tentem não rir (apesar de ser quase impossível, eu confesso!), pois como já disse, todos nós podemos um dia passar por isso!

Aceitamos sugestões de fotos e vídeos relacionados ! Você conhece algum ?

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Filed under Maio 2009

Quem não erra?

Por Olavo Guerra

Na última quarta-feira (13), em uma entrevista coletiva aos estudantes do primeiro ano de jornalismo da Metodista, o professor e coordenador do curso na universidade Rodolfo Martino foi perguntado pelo Nós erramos! sobre quais foram os mairoes erros que ele já havia cometido em sua longa carreira jornalística. Ele contou um caso engraçado, quando trocou um nome de um rapaz com um nome de uma cidade, e vice versa. Lembrou de uma vez que o jornal trocou um anúncio de vagas de fisioterapeutas por fisioteraputas.

E você, lembra de algum erro da imprensa em geral. Algo engraçado, ou que comprometeu a carreira de um grande jornalista?

Comente esses erros neste post.

Aproveitando a oportunidade, convidamos a todos para que visitem nossa nova página: Sugira uma pauta. Nesse espaço, vocês leitores podem nos ajudar com boas pautas relacionadas à nossa temática, afim de evoluir e aumetar o conteúdo do nosso blog.

Muito obrigado a todos os nossos leitores!

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Filed under Maio 2009

Os erros da editoria mais apaixonada (e apaixonante)

Se há um tema que este blog não poderia deixar de falar é sobre o jornalismo esportivo. Não que esta seja mais importante do que outras editorias, ou mesmo que cometa mais ou menos erros que as demais. Simplesmente porque dos seis que escrevem aqui, nada menos que metade pretende seguir na área. Mais do que isso, percebemos que não são poucos os que entram no curso de jornalismo já pensando em seguir carreira no meio esportivo.
Isso se explica muitas das vezes pela paixão cultiva desde pequeno pelos esportes, na maioria das vezes o futebol. É aí, logo de cara, que já se nota um equívoco.
Conversando outro dia com um colega, estudante de jornalismo da Metodista inclusive, ele me dava sua opinião. Para ele, muitos dos que ingressam no curso já pensando em seguir carreira na área de esportes se decepcionam. Descobrem que gostavam de futebol, de automobilismo e de qualquer outra atividade, menos de jornalismo. Sorte daqueles que se descobrem em outras editorias e se apaixonam pela reportagem. Azar dos que trancam a matrícula ou dos que terão um diploma que praticamente não lhe será útil até o resto de suas vidas.
Esta paixão não está só com os estudantes ou recém-formados. Atinge também jornalistas experientes no meio. Quantas vezes você já não ligou sua tv em um domingo à noite e no meio de debates acalorados ouviu da boca de um comentarista coisas que só um torcedor poderia dizer ?
O “comentarista de arquibancada” pode agradar aquele torcedor que não suporta ouvir alguém falar mal de seu time, mas esquece de regra básica pra qualquer bom jornalista : a imparcialidade.
Se o excesso de paixão é condenado por uns, a falta dela é inaceitável pra outros. Para Erick Pasqualine, 17, estudante de jornalismo que pretende seguir na carreira no meio esportivo, o amor ao esporte é requisito básico para quem quiser ingressar neste segmento: “Para ser jornalista esportivo você precisa gostar de esportes. Isso é o básico para ter uma carreira na área” afirmou em entrevista ao blog.
O jornalista Paulo Vinícius Coelho discorda. Em seu livro “Jornalismo Esportivo”, PVC fala sobre o caso: “As noções técnicas da profissão dão aval a quem quiser trabalhar em qualquer área. Os princípios da profissão valem tanto para quem tem quanto para quem não tem paixão pelo esporte”.
Os erros neste meio são inúmeros. Talvez mais acentuados pelo conhecimento dos que acompanham a cobertura. Afinal vivemos num país onde todos entendem de futebol. Ou pensam entender. Isso dá margem à qualquer um pensar que sabe mais do que aquele que lhe escreve. E muitas vezes sabe. Palpiteiros não faltam. Por já terem sentado em arquibancadas e cadeiras de ginásios, alguns pensam que podem se dizer especialistas. Mentira. Minha mãe já sujou suas calças no Pacaembu e nem por isso se arriscaria a empunhar um microfone.
Isso gera além de tudo preconceito de público e de colegas de outras editorias. Outro dia ao comentar o interesse pelo meio esportivo ouvi de um familiar o ingênuo, porém carregado de preconceito, comentário : “Estudar pra falar de futebol ? Pra quê ?”
Alguns veículos de informação parecem pensar assim. Suas redações estão repletas de ex-jogadores e ex-técnicos que hoje se dedicam à análise de jogos e competições. Não acreditamos que o diploma de jornalista deva seja obrigatório, tanto que alguns de nossos ídolos, como Juca Kfouri, não o possuem. Porém espera-se comentários embasados, boa pauta, domínio da língua e conhecimento que permita perguntas mais inteligentes dos que o famoso “e aí, o que você achou do jogo ?”. Algumas vezes reclamamos das respostas clichês dos atletas, sem perceber que elas são dadas após perguntas mal elaboradas vindas de jornalistas sem conteúdo. Estes também não escapam das frases “manjadas” e de expressões repetitivas, como lembra o jornalista e diretor de redação da revista Placar, Sérgio Xavier Filho.
Em entrevista ao “Nós Erramos” nesta sexta-feira (8), ele nos ajudou na compreensão da imprensa esportiva em nosso país e dos seus principais erros. “Tem os mais variados erros. Tem erro de português, de informação de lógica e eu acho o uso exagerado de clichês tremendo, muito incômodo.” afirmou. Ele ainda completa: “No jornalismo esportivo, especificamente, eu acho que tem um erro mais comum do que nas outros segmentos do jornalismo que é o excesso de confiança na memória. Isso ocorre pelo esporte já estar em nossas vidas antes de ingressar na profissão” disse Serginho, como é conhecido pelos colegas de redação da editora Abril.
De fato isso ocorre. Não só com o iniciante como nos mais “rodados” jornalistas.
São tantos os erros que fica difícil enumerar : pautas ruins, assuntos repetitivos, informações mal apuradas, monopólio na transmissão de eventos esportivos e tantos outros. Somando os equívocos ao advento da Internet, algumas pessoas chegam a prever o fim dos diários e das revistas esportivas. Para Xavier, só os bons sobreviverão : “ Eu acho que tem um risco grande de jornais e revistas acabarem, mas os jornais ruins. Eu acho que haverá uma depuração.”
Outro mal que perdura no meio é tratar futebol como sinônimo de esporte. Se por um lado, perde o leitor, ouvinte e telespectador, que não tem grande conteúdo de qualidade sobre esportes menos populares, vantagem tem aqueles que pensam em se aprofundar em assuntos como futebol americano e basquete. Érick é um deles e analisa o modo como é feita a cobertura destes esportes hoje em dia : “Tem pouco profissional na área. As vezes os que comentam nem são jornalistas”, comentou.
Ao mesmo tempo em que erros são apontados, os acertos não podem ser esquecidos. Para Sergio Xavier, a cobertura esportiva brasileira não perde para a internacional : “ Eu acho que agente está nivelado não só na imprensa esportiva como nas outras. Você liga a tv na Itália, na França, na Alemanha, enfim, e percebe que a Globo, por exemplo, não perde muito à ninguém” falou à reportagem.
É observando os erros e acertos dos que fazem o jornalismo esportivo hoje que poderemos fazer melhor amanhã. Isso demanda estudo, aprofundamento e dedicação.

Por Bruno Cassucci

Entrevista por Olavo Guerra

Se há um tema que este blog não poderia deixar de falar é sobre o jornalismo esportivo. Não que esta seja mais importante do que outras editorias, ou mesmo que cometa mais ou menos erros que as demais. Simplesmente porque dos seis que escrevem aqui, nada menos que metade pretende seguir na área. Mais do que isso, percebemos que não são poucos os que entram no curso de jornalismo já pensando em seguir carreira no meio esportivo.

Isso se explica muitas das vezes pela paixão cultiva desde pequeno pelos esportes, na maioria das vezes o futebol. É aí, logo de cara, que já se nota um equívoco.

Conversando outro dia com um colega, estudante de jornalismo da Metodista inclusive, ele me dava sua opinião. Para ele, muitos dos que ingressam no curso já pensando em seguir carreira na área de esportes se decepcionam. Descobrem que gostavam de futebol, de automobilismo e de qualquer outra atividade, menos de jornalismo. Sorte daqueles que se descobrem em outras editorias e se apaixonam pela reportagem. Azar dos que trancam a matrícula ou dos que terão um diploma que praticamente não lhe será útil até o resto de suas vidas.

Esta paixão não está só com os estudantes ou recém-formados. Atinge também jornalistas experientes no meio. Quantas vezes você já não ligou sua tv em um domingo à noite e no meio de debates acalorados ouviu da boca de um comentarista coisas que só um torcedor poderia dizer ?

O “comentarista de arquibancada” pode agradar aquele torcedor que não suporta ouvir alguém falar mal de seu time, mas esquece de regra básica pra qualquer bom jornalista : a imparcialidade.

Se o excesso de paixão é condenado por uns, a falta dela é inaceitável pra outros. Para Erick Pasqualine, 17, estudante de jornalismo que pretende seguir na carreira no meio esportivo, o amor ao esporte é requisito básico para quem quiser ingressar neste segmento: “Para ser jornalista esportivo você precisa gostar de esportes. Isso é o básico para ter uma carreira na área” afirmou em entrevista ao blog.

Livro de Paulo Vinícius Coelho

Livro de Paulo Vinícius Coelho

O jornalista Paulo Vinícius Coelho discorda. Em seu livro “Jornalismo Esportivo”, PVC fala sobre o caso: “As noções técnicas da profissão dão aval a quem quiser trabalhar em qualquer área. Os princípios da profissão valem tanto para quem tem quanto para quem não tem paixão pelo esporte”.

Os erros neste meio são inúmeros. Talvez mais acentuados pelo conhecimento dos que acompanham a cobertura. Afinal vivemos num país onde todos entendem de futebol. Ou pensam entender. Isso dá margem à qualquer um pensar que sabe mais do que aquele que lhe escreve. E muitas vezes sabe. Palpiteiros não faltam. Por já terem sentado em arquibancadas e cadeiras de ginásios, alguns pensam que podem se dizer especialistas. Mentira. Minha mãe já sujou suas calças no Pacaembu e nem por isso se arriscaria a empunhar um microfone.

Isso gera além de tudo preconceito de público e de colegas de outras editorias. Outro dia ao comentar o interesse pelo meio esportivo ouvi de um familiar o ingênuo, porém carregado de preconceito, comentário : “Estudar pra falar de futebol ? Pra quê ?”

Alguns veículos de informação parecem pensar assim. Suas redações estão repletas de ex-jogadores e ex-técnicos que hoje se dedicam à análise de jogos e competições. Não acreditamos que o diploma de jornalista deva seja obrigatório, tanto que alguns de nossos ídolos, como Juca Kfouri, não o possuem. Porém espera-se comentários embasados, boa pauta, domínio da língua e conhecimento que permita perguntas mais inteligentes dos que o famoso “e aí, o que você achou do jogo ?”. Algumas vezes reclamamos das respostas clichês dos atletas, sem perceber que elas são dadas após perguntas mal elaboradas vindas de jornalistas sem conteúdo. Estes também não escapam das frases “manjadas” e de expressões repetitivas, como lembra o jornalista e diretor de redação da revista Placar, Sérgio Xavier Filho.

Em entrevista ao “Nós Erramos” nesta sexta-feira (8), ele nos ajudou na compreensão da imprensa esportiva em nosso país e dos seus principais erros. “Tem os mais variados erros. Tem erro de português, de informação de lógica e eu acho o uso exagerado de clichês tremendo, muito incômodo.” afirmou. Ele ainda completa: “No jornalismo esportivo, especificamente, eu acho que tem um erro mais comum do que nas outros segmentos do jornalismo que é o excesso de confiança na memória. Isso ocorre pelo esporte já estar em nossas vidas antes de ingressar na profissão” disse Serginho, como é conhecido pelos colegas de redação da editora Abril.

Sérgio Xavier Filho

Sérgio Xavier Filho

De fato isso ocorre. Não só com o iniciante como nos mais “rodados” jornalistas.

São tantos os erros que fica difícil enumerar : pautas ruins, assuntos repetitivos, informações mal apuradas, monopólio na transmissão de eventos esportivos e tantos outros. Somando os equívocos ao advento da Internet, algumas pessoas chegam a prever o fim dos diários e das revistas esportivas. Para Xavier, só os bons sobreviverão : “ Eu acho que tem um risco grande de jornais e revistas acabarem, mas os jornais ruins. Eu acho que haverá uma depuração.”

Outro mal que perdura no meio é tratar futebol como sinônimo de esporte. Se por um lado, perde o leitor, ouvinte e telespectador, que não tem grande conteúdo de qualidade sobre esportes menos populares, vantagem tem aqueles que pensam em se aprofundar em assuntos como futebol americano e basquete. Érick é um deles e analisa o modo como é feita a cobertura destes esportes hoje em dia : “Tem pouco profissional na área. As vezes os que comentam nem são jornalistas”, comentou.

Ao mesmo tempo em que erros são apontados, os acertos não podem ser esquecidos. Para Sergio Xavier, a cobertura esportiva brasileira não perde para a internacional : “ Eu acho que agente está nivelado não só na imprensa esportiva como nas outras. Você liga a tv na Itália, na França, na Alemanha, enfim, e percebe que a Globo, por exemplo, não perde muito à ninguém” falou à reportagem.

É observando os erros e acertos dos que fazem o jornalismo esportivo hoje que poderemos fazer melhor amanhã. Isso demanda estudo, aprofundamento e dedicação.

E você o que pensa ? O que acha do jornalismo esportivo no Brasil ? Queremos promover um grande debate através do blog. Comente !

PS : Reedito este post, deixando link de conteudo em podcast do programa “Notícia em Foco”, da rádio CBN, que promove um debate sobre o assunto. Bem interessante, vale a pena ouvir.

Clique Aqui e Ouça

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Filed under Maio 2009

Informação é poder!

Hoje, caros leitores, queremos levantar com vocês a seguinte questão: Até que ponto um jornalista deve expor sua opinião?

Recomenda o Estadão em seu manual de redação: “Faça textos imparciais e objetivos. Não exponha opiniões, mas fatos, que o leitor tire deles as próprias conclusões”. Já a Folha mostra-se um pouco mais permissiva: “Não existe objetividade em jornalismo. Ao escolher um assunto, redigir um texto e editá-lo, o jornalista toma decisões em larga medida subjetivas, influenciadas por suas posições pessoais, hábitos e emoções. Isso não o exime, porém, de ser o mais objetivo possível”.

Entretanto, cada jornalista deve saber que veículos de comunicação são formadores de opinião e isso é inevitável. Fazendo parte de um, o que você escreve passa a ser mais do que lido, passa a ser interpretado por centenas de pessoas que vão tirar conclusões a partir das suas palavras.

Mas será mesmo que essa responsabilidade cabe apenas a quem escreve? Ou será que o leitor não deve ser “repórter” em alguns momentos e investigar, duvidar do que lê.

Sim, é isso! Ainda que queiramos ser imparciais, definitivamente não dá!

Ao escrever, você mostra quem é. Cada vírgula, ainda que você não queira, denuncia seu pensar. Afinal, jornalismo deve ser um diálogo convidativo, aberto e deve estimular o cidadão a pensar, a criar opinião ao invés de induzir. Jornalismo deve ser democrático, acessível, um fruto coletivo ainda que escrito por um só.

Mas com ou sem opinião explícita, o mais importante é ser ético, no sentido de dizer a verdade, não difamar a imagem de alguém ou acusar sem provas, afinal, informação é poder!

Veja o que a jornalista Ana Paula Padrão falou sobre a ética durante sua palestra no 5º Seminário-Esso- IETV de Telejornalismo.

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Filed under Abril 2009

Um pouco de história

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O jornalismo na época do absolutismo.

A censura pode ser usada de forma política, moral ou religiosa. Na maioria das vezes, serve para encobrir interesses particulares de pessoas ou de grupos; é exercida de forma preventiva, repressiva e indireta, por meio de censores, afim de punir atos subversivos à ordem.

Na antiga França, o rei Luís XVI tinha o poder para convocar e demitir quando ele quisesse os seus ministros, ainda impôs uma censura, – como era de costume nas sociedades monárquicas da época – a disseminação de obras, desde as artísticas às de informação, como as enciclopédias, aumentando o grau de desinformação e brotando superstições e preconceitos na mente das pessoas.Mas em meio a revoltas camponesas,e pressão de grupos pelo capitalismo industrial, como os jacobinos, – constituídos das classes mais pobres e de intelectuais, incluindo os jornalistas – e os girondinos, – formados por banqueiros e grandes comerciantes.Finalmente, com a tomada da Bastilha, – símbolo da tirania – o rei foi levado a guilhotina e o povo francês através da sua revolução burguesa, fazia a sua Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que pregava: liberdade, igualdade, inviobilidade da propriedade e o direito de resistir à opressão.Isso significava a conquista da livre comunicação das idéias e das opiniões.Todo cidadão podia, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.

No Brasil, a censura acompanhou de perto nossa história desde o período colonial. A execução do rei Luís XVI e a convenção montanhesa, deixou preocupada as autoridades portuguesas, – tanto na metrópole, quanto na colônia – que resolveram instalar a censura, exercida pelo poder civil – Ordinário e Desembargo do Paço – e pela igreja – Santo Ofício.

No primeiro reinado, a relação de D. Pedro I com a imprensa era conturbada, ele governava de maneira autoritária, havia muita insatisfação popular, gerando várias agitações em torno do seu governo. A imprensa fazia violenta campanha contra ele, principalmente depois da morte de um de seus maiores críticos, o jornalista Líbero Badaró.Com a abdicação do imperador e o seu regresso para Portugal, o Brasil viveu um periodo de regência com revoltas e rebeliões por todo o país. A instabilidade política gerada por liberais e conservadores, faz surgir uma campanha pela maioridade do príncipe nas elites agrárias, que é comprada por parte da imprensa e da opnião pública. A Constituição é atropelada e Dom Pedro é declarado maior em 1840, com apenas 14 anos.

A grande campanha defendida pela imprensa no segundo reinado, foi pelo abolicionismo, que crescia e ia se espalhando pelo país.Vários literatos, publicistas,estudantes e ilustradores, pessoas formídaveis como José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Castro Alves e Angelo Agostini, se manifestaram firmemente sobre a escravidão, contestando o domínio dos conservadores, apoiados nos senhores de escravos. Comícios em salões e praças, o valor decisivo dos jornais na divulgação da campanha por todo o país, a levaram das ruas para o parlamento.

Até que em 13 de maio de 1888, em meio a tantas pressões de todos os lados, a princesa Isabel assina a Lei Áurea, pondo fim a escravidão e a uma fase heróica do jornalismo brasileiro.

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