Se há um tema que este blog não poderia deixar de falar é sobre o jornalismo esportivo. Não que esta seja mais importante do que outras editorias, ou mesmo que cometa mais ou menos erros que as demais. Simplesmente porque dos seis que escrevem aqui, nada menos que metade pretende seguir na área. Mais do que isso, percebemos que não são poucos os que entram no curso de jornalismo já pensando em seguir carreira no meio esportivo.
Isso se explica muitas das vezes pela paixão cultiva desde pequeno pelos esportes, na maioria das vezes o futebol. É aí, logo de cara, que já se nota um equívoco.
Conversando outro dia com um colega, estudante de jornalismo da Metodista inclusive, ele me dava sua opinião. Para ele, muitos dos que ingressam no curso já pensando em seguir carreira na área de esportes se decepcionam. Descobrem que gostavam de futebol, de automobilismo e de qualquer outra atividade, menos de jornalismo. Sorte daqueles que se descobrem em outras editorias e se apaixonam pela reportagem. Azar dos que trancam a matrícula ou dos que terão um diploma que praticamente não lhe será útil até o resto de suas vidas.
Esta paixão não está só com os estudantes ou recém-formados. Atinge também jornalistas experientes no meio. Quantas vezes você já não ligou sua tv em um domingo à noite e no meio de debates acalorados ouviu da boca de um comentarista coisas que só um torcedor poderia dizer ?
O “comentarista de arquibancada” pode agradar aquele torcedor que não suporta ouvir alguém falar mal de seu time, mas esquece de regra básica pra qualquer bom jornalista : a imparcialidade.
Se o excesso de paixão é condenado por uns, a falta dela é inaceitável pra outros. Para Erick Pasqualine, 17, estudante de jornalismo que pretende seguir na carreira no meio esportivo, o amor ao esporte é requisito básico para quem quiser ingressar neste segmento: “Para ser jornalista esportivo você precisa gostar de esportes. Isso é o básico para ter uma carreira na área” afirmou em entrevista ao blog.
O jornalista Paulo Vinícius Coelho discorda. Em seu livro “Jornalismo Esportivo”, PVC fala sobre o caso: “As noções técnicas da profissão dão aval a quem quiser trabalhar em qualquer área. Os princípios da profissão valem tanto para quem tem quanto para quem não tem paixão pelo esporte”.
Os erros neste meio são inúmeros. Talvez mais acentuados pelo conhecimento dos que acompanham a cobertura. Afinal vivemos num país onde todos entendem de futebol. Ou pensam entender. Isso dá margem à qualquer um pensar que sabe mais do que aquele que lhe escreve. E muitas vezes sabe. Palpiteiros não faltam. Por já terem sentado em arquibancadas e cadeiras de ginásios, alguns pensam que podem se dizer especialistas. Mentira. Minha mãe já sujou suas calças no Pacaembu e nem por isso se arriscaria a empunhar um microfone.
Isso gera além de tudo preconceito de público e de colegas de outras editorias. Outro dia ao comentar o interesse pelo meio esportivo ouvi de um familiar o ingênuo, porém carregado de preconceito, comentário : “Estudar pra falar de futebol ? Pra quê ?”
Alguns veículos de informação parecem pensar assim. Suas redações estão repletas de ex-jogadores e ex-técnicos que hoje se dedicam à análise de jogos e competições. Não acreditamos que o diploma de jornalista deva seja obrigatório, tanto que alguns de nossos ídolos, como Juca Kfouri, não o possuem. Porém espera-se comentários embasados, boa pauta, domínio da língua e conhecimento que permita perguntas mais inteligentes dos que o famoso “e aí, o que você achou do jogo ?”. Algumas vezes reclamamos das respostas clichês dos atletas, sem perceber que elas são dadas após perguntas mal elaboradas vindas de jornalistas sem conteúdo. Estes também não escapam das frases “manjadas” e de expressões repetitivas, como lembra o jornalista e diretor de redação da revista Placar, Sérgio Xavier Filho.
Em entrevista ao “Nós Erramos” nesta sexta-feira (8), ele nos ajudou na compreensão da imprensa esportiva em nosso país e dos seus principais erros. “Tem os mais variados erros. Tem erro de português, de informação de lógica e eu acho o uso exagerado de clichês tremendo, muito incômodo.” afirmou. Ele ainda completa: “No jornalismo esportivo, especificamente, eu acho que tem um erro mais comum do que nas outros segmentos do jornalismo que é o excesso de confiança na memória. Isso ocorre pelo esporte já estar em nossas vidas antes de ingressar na profissão” disse Serginho, como é conhecido pelos colegas de redação da editora Abril.
De fato isso ocorre. Não só com o iniciante como nos mais “rodados” jornalistas.
São tantos os erros que fica difícil enumerar : pautas ruins, assuntos repetitivos, informações mal apuradas, monopólio na transmissão de eventos esportivos e tantos outros. Somando os equívocos ao advento da Internet, algumas pessoas chegam a prever o fim dos diários e das revistas esportivas. Para Xavier, só os bons sobreviverão : “ Eu acho que tem um risco grande de jornais e revistas acabarem, mas os jornais ruins. Eu acho que haverá uma depuração.”
Outro mal que perdura no meio é tratar futebol como sinônimo de esporte. Se por um lado, perde o leitor, ouvinte e telespectador, que não tem grande conteúdo de qualidade sobre esportes menos populares, vantagem tem aqueles que pensam em se aprofundar em assuntos como futebol americano e basquete. Érick é um deles e analisa o modo como é feita a cobertura destes esportes hoje em dia : “Tem pouco profissional na área. As vezes os que comentam nem são jornalistas”, comentou.
Ao mesmo tempo em que erros são apontados, os acertos não podem ser esquecidos. Para Sergio Xavier, a cobertura esportiva brasileira não perde para a internacional : “ Eu acho que agente está nivelado não só na imprensa esportiva como nas outras. Você liga a tv na Itália, na França, na Alemanha, enfim, e percebe que a Globo, por exemplo, não perde muito à ninguém” falou à reportagem.
É observando os erros e acertos dos que fazem o jornalismo esportivo hoje que poderemos fazer melhor amanhã. Isso demanda estudo, aprofundamento e dedicação.
Por Bruno Cassucci
Entrevista por Olavo Guerra
Se há um tema que este blog não poderia deixar de falar é sobre o jornalismo esportivo. Não que esta seja mais importante do que outras editorias, ou mesmo que cometa mais ou menos erros que as demais. Simplesmente porque dos seis que escrevem aqui, nada menos que metade pretende seguir na área. Mais do que isso, percebemos que não são poucos os que entram no curso de jornalismo já pensando em seguir carreira no meio esportivo.
Isso se explica muitas das vezes pela paixão cultiva desde pequeno pelos esportes, na maioria das vezes o futebol. É aí, logo de cara, que já se nota um equívoco.
Conversando outro dia com um colega, estudante de jornalismo da Metodista inclusive, ele me dava sua opinião. Para ele, muitos dos que ingressam no curso já pensando em seguir carreira na área de esportes se decepcionam. Descobrem que gostavam de futebol, de automobilismo e de qualquer outra atividade, menos de jornalismo. Sorte daqueles que se descobrem em outras editorias e se apaixonam pela reportagem. Azar dos que trancam a matrícula ou dos que terão um diploma que praticamente não lhe será útil até o resto de suas vidas.
Esta paixão não está só com os estudantes ou recém-formados. Atinge também jornalistas experientes no meio. Quantas vezes você já não ligou sua tv em um domingo à noite e no meio de debates acalorados ouviu da boca de um comentarista coisas que só um torcedor poderia dizer ?
O “comentarista de arquibancada” pode agradar aquele torcedor que não suporta ouvir alguém falar mal de seu time, mas esquece de regra básica pra qualquer bom jornalista : a imparcialidade.
Se o excesso de paixão é condenado por uns, a falta dela é inaceitável pra outros. Para Erick Pasqualine, 17, estudante de jornalismo que pretende seguir na carreira no meio esportivo, o amor ao esporte é requisito básico para quem quiser ingressar neste segmento: “Para ser jornalista esportivo você precisa gostar de esportes. Isso é o básico para ter uma carreira na área” afirmou em entrevista ao blog.

Livro de Paulo Vinícius Coelho
O jornalista Paulo Vinícius Coelho discorda. Em seu livro “Jornalismo Esportivo”, PVC fala sobre o caso: “As noções técnicas da profissão dão aval a quem quiser trabalhar em qualquer área. Os princípios da profissão valem tanto para quem tem quanto para quem não tem paixão pelo esporte”.
Os erros neste meio são inúmeros. Talvez mais acentuados pelo conhecimento dos que acompanham a cobertura. Afinal vivemos num país onde todos entendem de futebol. Ou pensam entender. Isso dá margem à qualquer um pensar que sabe mais do que aquele que lhe escreve. E muitas vezes sabe. Palpiteiros não faltam. Por já terem sentado em arquibancadas e cadeiras de ginásios, alguns pensam que podem se dizer especialistas. Mentira. Minha mãe já sujou suas calças no Pacaembu e nem por isso se arriscaria a empunhar um microfone.
Isso gera além de tudo preconceito de público e de colegas de outras editorias. Outro dia ao comentar o interesse pelo meio esportivo ouvi de um familiar o ingênuo, porém carregado de preconceito, comentário : “Estudar pra falar de futebol ? Pra quê ?”
Alguns veículos de informação parecem pensar assim. Suas redações estão repletas de ex-jogadores e ex-técnicos que hoje se dedicam à análise de jogos e competições. Não acreditamos que o diploma de jornalista deva seja obrigatório, tanto que alguns de nossos ídolos, como Juca Kfouri, não o possuem. Porém espera-se comentários embasados, boa pauta, domínio da língua e conhecimento que permita perguntas mais inteligentes dos que o famoso “e aí, o que você achou do jogo ?”. Algumas vezes reclamamos das respostas clichês dos atletas, sem perceber que elas são dadas após perguntas mal elaboradas vindas de jornalistas sem conteúdo. Estes também não escapam das frases “manjadas” e de expressões repetitivas, como lembra o jornalista e diretor de redação da revista Placar, Sérgio Xavier Filho.
Em entrevista ao “Nós Erramos” nesta sexta-feira (8), ele nos ajudou na compreensão da imprensa esportiva em nosso país e dos seus principais erros. “Tem os mais variados erros. Tem erro de português, de informação de lógica e eu acho o uso exagerado de clichês tremendo, muito incômodo.” afirmou. Ele ainda completa: “No jornalismo esportivo, especificamente, eu acho que tem um erro mais comum do que nas outros segmentos do jornalismo que é o excesso de confiança na memória. Isso ocorre pelo esporte já estar em nossas vidas antes de ingressar na profissão” disse Serginho, como é conhecido pelos colegas de redação da editora Abril.

Sérgio Xavier Filho
De fato isso ocorre. Não só com o iniciante como nos mais “rodados” jornalistas.
São tantos os erros que fica difícil enumerar : pautas ruins, assuntos repetitivos, informações mal apuradas, monopólio na transmissão de eventos esportivos e tantos outros. Somando os equívocos ao advento da Internet, algumas pessoas chegam a prever o fim dos diários e das revistas esportivas. Para Xavier, só os bons sobreviverão : “ Eu acho que tem um risco grande de jornais e revistas acabarem, mas os jornais ruins. Eu acho que haverá uma depuração.”
Outro mal que perdura no meio é tratar futebol como sinônimo de esporte. Se por um lado, perde o leitor, ouvinte e telespectador, que não tem grande conteúdo de qualidade sobre esportes menos populares, vantagem tem aqueles que pensam em se aprofundar em assuntos como futebol americano e basquete. Érick é um deles e analisa o modo como é feita a cobertura destes esportes hoje em dia : “Tem pouco profissional na área. As vezes os que comentam nem são jornalistas”, comentou.
Ao mesmo tempo em que erros são apontados, os acertos não podem ser esquecidos. Para Sergio Xavier, a cobertura esportiva brasileira não perde para a internacional : “ Eu acho que agente está nivelado não só na imprensa esportiva como nas outras. Você liga a tv na Itália, na França, na Alemanha, enfim, e percebe que a Globo, por exemplo, não perde muito à ninguém” falou à reportagem.
É observando os erros e acertos dos que fazem o jornalismo esportivo hoje que poderemos fazer melhor amanhã. Isso demanda estudo, aprofundamento e dedicação.
E você o que pensa ? O que acha do jornalismo esportivo no Brasil ? Queremos promover um grande debate através do blog. Comente !
PS : Reedito este post, deixando link de conteudo em podcast do programa “Notícia em Foco”, da rádio CBN, que promove um debate sobre o assunto. Bem interessante, vale a pena ouvir.
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